Para Ticão, Osmar Terra, que ataca o cultivo da cannabis medicinal, “é representante dos grandes laboratórios do lucro da doença”,  por isso é radicalmente contra o uso da maconha

Perseguido por grupos conservadores católicos, Antônio Luiz Marchioni, 67 anos, o Padre Ticão, realiza diversos trabalhos voltados à saúde da população na igreja São Francisco de Assis, localizada em Ermelino Matarazzo, no extremo leste da capital paulista. No entanto, o que diferencia Ticão na comunidade religiosa é seu interesse por tratamentos de “saúde preventiva” e naturais, como o uso do óleo de Cannabis para uso medicinal.

Desde o ano passado, o padre ministra cursos sobre a planta e não poupa críticas ao ministro da Cidadania, Osmar Terra (MDB), que, nesse domingo (18), voltou a criticar a possível liberação da Anvisa do cultivo de cannabis para uso medicinal. Em entrevista ao site Jota, o ministro acusou o diretor-presidente da Anvisa, William Dib, de ser “pró-droga” e disse que, se as regras forem aprovadas, a Anvisa “pode até acabar”.

Para Ticão, Osmar Terra “é representante dos grandes laboratórios do lucro da doença”,  por isso é radicalmente contra o uso da maconha. “Ele não tem nenhuma base científica para dizer que a maconha é porta de entrada para outras drogas.

Ticão comanda há 41 anos a igreja na Zona Leste. Seu projeto “Saúde Preventiva” foi criado de três anos pra cá, e conta com tratamentos e cursos. Além da Cannabis, o padre também aborda o uso da água japonesa Kangen, mais alcalina que as demais, e uso de ozônio para evitar amputações. Porém, foi a maconha que fez o padre ser conhecido e criticado.

“A bebida é uma droga legalizada, oficial. Por dia no mundo quantas pessoas morrem por causa da bebida aqui no Brasil? A cada mês, quantas pessoas morrem e matam os outros por causa da bebida? Isso ninguém fala, é algo normal. Por causa da maconha, não tem um registro no mundo de que alguém fumando um baseado, ou usando o óleo da maconha para as mais diversas doenças”, defendeu o padre, em entrevista à Fórum. 

Ticão criticou o fato do uso da maconha ser proibido no Brasil e citou como exemplo o Uruguai, que reduziu em 18% os crimes envolvendo narcóticos depois da legalização da droga. “É uma hipocrisia religiosa esse falso moralismo. É uma hipocrisia da justiça”, disse, em referência à ilegalidade.

Desde 2006, a lei 11.343 prevê a possibilidade de a União autorizar o cultivo “para fins medicinais e científicos, em local e prazo predeterminados, mediante fiscalização”. E, desde 2015, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autoriza pedidos para importação de óleos e medicamentos à base principalmente de canabidiol.