Funerais virtuais e memoriais on-line viram caminhos durante as restrições do isolamento social.

Na madrugada de 10 de abril, Eromar Bozo, de 55 anos, e o marido acordaram com um telefonema do hospital em que o filho Diego Bozo estava internado com o novo coronavírus em Osasco, na Grande São Paulo.

“Quando o telefone tocou, eu já sabia que tinha acontecido”, diz a mãe. “Em uma semana ele se foi. Ele simplesmente adoeceu e se foi”.

Com a proibição de funerais em São Paulo de vítimas da Covid-19 por causa do risco de contaminação, Eromar e o marido se despediram do filho, de 27 anos, no estacionamento do crematório.

“Recebi meu filho dentro de um caixão lacrado, não pude ver o corpo. Do hospital, fomos direto para o crematório. Lá, o motorista do carro funerário deixou a gente se aproximar do porta-malas onde estava o caixão para fazermos uma prece rápida. Nos despedimos dele assim”, lembra Eromar.

As tradições de despedida e de homenagem aos mortos, presentes no mundo há milhares de anos, têm sido desestruturadas pela epidemia do novo coronavírus.

“A gente sentiu não poder fazer um velório. Não só a gente, mas toda a família e os amigos do Diego. Qual é o pai e a mãe que não quer se despedir do próprio filho?”, se questiona Eromar.