A tendência para 2019 é que o varejo venda mais ovos de Páscoa a preços mais baixos do que no ano anterior. É o que afirma o professor de MBAs da FGV (Fundação Getulio Vargas) Ulysses Reis.

Reis diz que de 2014 a 2016 o mercado brasileiro viu um aumento exagerado nos preços dos ovos de Páscoa, o que afetou o poder de compra. Em 2016, as vendas caíram 5,8% em comparação ao ano anterior.

Em 2017, as empresas entenderam que era necessário adaptar os preços, registrando aumento de 2,2% nas vendas. Em 2018, o crescimento foi de 3,2% e estima-se que ultrapasse os 3% em 2019.

Neste ano, a melhora da economia e a data da comemoração são fatores que devem impulsionar a venda dos ovos. “A Páscoa cai no dia 21 de abril e aquela quantidade de impostos que temos em fevereiro e março já passou. As famílias estão com mais dinheiro no bolso”, explica Reis.

Dados da Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados) apontam que, em 2015, a produção de ovos chegou a 19,7 mil toneladas. Houve quedas em 2016 (14,3 mil toneladas) e 2017 (9 mil toneladas), com recuperação em 2018 (11 mil toneladas).

Devido aos resultados nas vendas, o setor contrata cada vez menos funcionários. Em 2016, foram empregadas 29 mil pessoas no mercado de Páscoa. Em 2019, o número caiu e chegou a 18 mil.

“Esta queda com certeza vai refletir no preço. Os fabricantes já perceberam que aumentar o valor estava acabando com o mercado deles”, explica Reis.

Já os ovos que não forem vendidos, podem ser devolvidos ao fabricante, segundo o economista da Apas (Associação Paulista de Supermercados) Thiago Berka. “A iniciativa de retirar, veio da [atitude] do próprio consumidor, que parou de consumir, e das lojas que ficavam com os ovos encalhados”, afirma.

Na hora da compra

Acompanhar os preços ao longo dos dias, pesquisar em mais de um estabelecimento e esperar para comprar mais perto do feriado podem ser estratégias que garantem bons preços aos consumidores.

“O que está acontecendo é que, a medida que se aproxima da Páscoa, as lojas começam a entrar em desespero, porque o ovo é um produto sazonal. Não vendeu, acabou, ninguém mais quer”, explica Reis. Nesta época, os preços caem consideravelmente.

Berka complementa que o produto não tem a venda fácil como o panetone, que “você consegue queimar depois do Natal, mas os ovos são mais difíceis, porque tem preços mais altos”.

O Procon-SP orienta que o consumidor avalie o local de compra do ovo e busque informações importantes na embalagem, como data de validade e ingredientes.

Depois de escolher qual produto irá comprar, o próximo passo é pesquisar preços.

Os ovos caseiros, que costumam ser melhores e mais baratos, além de terem menor incidência de impostos, estão ganhando mais espaço. “É a tendência dos próximos anos. As indústrias vão ter que se adaptar e ganhar no volume de vendas, porque os consumidores também estão mudando os hábitos”, afirma.

Estes seguem as mesmas regras de produção e cuidado que os de mercado. O Procon pede que o consumidor solicite uma degustação do produto e visite a cozinha onde são produzidos os ovos.

Alimentos da Páscoa

erka afirma que os produtos que devem vender mais nesta Páscoa são as cervejas, peixes em geral e caixas de bombons, tabletes e barras de chocolate.

“O calor vai ativar a venda de cervejas de preços populares. Sobre o peixe, existe uma tradição religiosa”, explica. Devido ao alto preço do dólar, o brasileiro deve migrar do bacalhau, que é importado, para peixes mais baratos.

Segundo pesquisa divulgada pela FGV, uma cesta com os produtos mais consumidos no feriado teve alta de 17,15% entre abril de 2018 e março de 2019.

A batata-inglesa será o maior vilão do almoço de Páscoa, com inflação acumulada de 78,83%. Outros itens que devem ficar mais caros são a couve, o bacalhau, o atum e os peixes frescos.

Fonte: As informações são do portal de notícias ‘R7’.