Pequenos provedores crescem e já contam com 8,6 milhões de clientes no país. Empresas do setor assumem a vice-liderança no segmento de banda larga fixa

A palavra crise, definitivamente, não faz parte do vocabulário  dos provedores regionais de internet. Com preços competitivos, tecnologia de ponta, investimentos em áreas remotas  e atendimento personalizado, as empresas deste setor têm crescido em ritmo chinês no Brasil e o que é mais impressionante:  acabam de assumir a vice-liderança no segmento de banda larga fixa. Juntos, os pequenos provedores possuem 8,6 milhões de clientes em todo o país – número só superado pela Claro, que  conta com 9,5 milhões de contratos ativos, de acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

A  história dos Provedores de Acesso à Internet (ISPs) – como são chamados os pequenos provedores  –  conversa de alguma forma com a das grandes operadoras. Isso porque eles cresceram e ganharam musculatura na chamada “zonas de sombra”, ou seja,  em áreas onde as grandes corporações não chegavam ou não têm  interesse em  oferecer o serviço, como os bairros periféricos das capitais, as pequenas  cidades do interior e a zona rural. 

“As grandes operadoras  precisam fazer investimentos em diversas outras áreas, como telefonia móvel e fixa e TV paga. Com isso, acabam muitas vezes não atendendo com banda larga fixa a periferia  e o interior.  É  aí que os pequenos provedores entram.  Antes, o serviço era oferecido via rádio, agora essas empresas já entram nas pequenas cidades com fibra ótica”, diz a jornalista Miriam Aquino, diretora da Momento Editorial  e coordenadora do congresso INOVAtic, que começa hoje no Senai Cimatec, em Salvador.  “Temos  neste mercado empresas com os mais diversos perfis, desde aquelas já consolidadas,  com presença nacional, até aquelas que só atuam em uma ou duas bases”, acrescenta.

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Segundo  o analista de sistemas André Costa – CEO da Use Telecom e diretor de serviços para Associados da Abranet (Associação Brasileira de Internet) –  hoje, em todo o país, são mais de 12 mil provedores regulares e centenas de outros que ainda não se formalizaram. O setor emprega  cerca de 250 mil pessoas.   

Ele conta que a Anatel deu uma ajuda importante para o setor, reduzindo a burocracia para a obtenção da outorga, a chamada SCM (Serviço de Comunicação Multimídia). O cadastramento de  empresas com até 5 mil usuários ficou mais simples e rápido, e isso favoreceu as pequenas e microempresas. “Os pequenos provedores têm levado serviço, banda larga com fibra ótica e de qualidade, para lugares que não tinha nada. E têm feito isso com recursos próprios”, diz Costa, acrescentando ainda que os provedores regionais oferecem pacotes de internet a partir de R$ 40/R$ 50. 

Exemplos baianos

Há dez anos no mercado, a   Use Telecom hospeda regionalmente os dados de empresas de conteúdo para internet, como Google, Facebook, Netflix e WhatsApp. É ainda a provedora oficial da Campus Party Bahia até 2022.  Mas não apenas isso:  oferece link dedicado  em fibra ótica para provedores locais de internet que, por sua vez, disponibilizam  um  serviço melhor, de alta disponibilidade, para os  consumidores  finais  de  diversos bairros de Salvador, como Alphaville, Periperi e Canabrava, e de  outros estados,  a exemplo de Sergipe e São Paulo. 

A empresa acaba de comprar um pequeno provedor em Morro de São Paulo. “Já implantamos 18 quilômetros de fibra em Morro e vamos expandir em mais 20 km,  e daí conectar todas as residências, que hoje são atendidas por internet via rádio ou a cabo de rede”, conta  André Costa, informando ainda que, além de banda larga, o projeto prevê  a oferta  de telefonia fixa com ligações ilimitadas.

A Use está levando fibra ótica também  para o distrito de Roda Velha, em São Desidério, no oeste da Bahia. “É uma localidade com pouco mais de 4 mil moradores, sem acesso a telefonia móvel, e que já já contará com os benefícios da  internet de alta velocidade”, diz.

O analista de sistemas André Oliveira, 37 anos, e outros dois sócios fundaram a Core 3 Tecnologia, em Feira de Santana,  em  2012. A  empresa é forte na área corporativa. Só no município, são mais de 700 empresas clientes. “Atendemos empresas hoje    na Bahia toda e em vários estados do país”, conta Oliveira. 

A área residencial –  também atendida com fibra ótica –  veio na sequência. Hoje são mais de 14 mil usuários  neste segmento,  uma mega-estrutura e 68 funcionários diretos, informa o executivo. “Vamos expandir muito até o final de 2020. Estamos construindo um data center aqui em Feira. São mais de R$ 6 milhões de investimentos em infraestrutura. Vamos ter ainda um super polo de tecnologia dentro da sede da Core”, afirma o empresários, informando que os preços oferecidos pela empresa  chegam a ser 30% mais baratos do que o das grandes operadoras.

Ele diz que só no mercado de Feira, a Core 3 pode quintuplicar  de tamanho. A  intenção é alcançar 60 mil clientes no município nos próximos dois anos. Os investimentos previsto são da ordem de R$ 12 milhões. “Depois a intenção é expandir para outras cidades”.

Com sede em Salvador e 152 funcionários, a ITS Brasil foi fundada por Daniel Landim, há 14 anos. Opera no segmento de provimento de internet para pessoa jurídica, atendendo empresas, provedores de internet e governo. Está presente em mais de 32  municípios do estado.  “Estamos fazendo um projeto de expansão para ss regiões sul, sudoeste e norte da Bahia”, afirma Landim. O objetivo, acrescenta ele,  é levar infraestrutura de rede para regiões ainda carentes de tecnologia.

 Ele afirma  ainda que o provedor regional tem preços tão competitivos quanto as das grandes operadoras mas com a facilidade de estar mais próximo do clientes. “É uma atendimento mais rápido e personalizado”, destacou. 

Presidente da Anatel abre congresso hoje

Com o tema “Conectando o Nordeste à Inovação”, o Congresso INOVAtic reunirá  hoje e amanhã, no Senai Cimatec, em Salvador,   especialistas e representantes das agências reguladoras e dos governos federal e estaduais. Além de discutir a participação dos provedores regionais na expansão da banda larga no Brasil, o evento vai debater ainda diversos  assuntos como a a lei de proteção de dados e privacidade e a a pirataria na TV paga. O INOVAtic  será aberto oficialmente pelo  presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Leonardo de Morais

Entre os palestrantes estão Marcelo Bechara, diretor de Relações Institucionais do Grupo Globo; Artur Coimbra, diretor do Departamento de Banda Larga do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações;Carlos Azen, gerente do Departamento de Telecom TI e Economia Criativa do BNDES; Leonardo Contrucci, diretor de Inovação da Claro Brasil; Felipe Cansanção, diretor Presidente da Aloo Telecom, dentre outros. 
 
Governos 

“Uma das principais razões para realizar este evento aqui Bahia  é que os governos da região Nordeste  têm implementado  políticas públicas diferenciadas visando a expansão da banda larga, e buscando alternativas para viabilizar, ampliar  e melhorar a capacidade das redes”,  diz a jornalista Miriam Aquino, coordenadora do  INOVAtic. “Além disso, aqui no Nordeste, segundo a Anatel, se concentra o maior número de pequenos provedores de internet”.