Dois jovens, de 20 e 24 anos, foram assassinados a tiros dentro da Terra Yanomami em junho. Eles foram atacados na floresta por garimpeiros, segundo a polícia.

A Polícia Federal cumpre quatro mandados de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (29) contra garimpeiros envolvidos na morte de dois indígenas Yanomami. O crime foi em junho.

Os jovens assassinados foram Original Yanomami, de 24 anos, e Marcos Arokona, de 20. Eles foram atacados a tiros no meio da floresta por garimpeiros, segundo o Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana (Condisi-Y).

De acordo com a PF, as investigações começaram imediatamente e um suspeito foi identificado. No entanto, familiares e amigos atrapalharam o trabalho da polícia para garantir a fuga de Eurivan Farias Lima, que está foragido desde 6 de julho. Os nomes dos outros alvos não foram divulgados até a última atualização desta reportagem.

A suspeita é que os indígenas caçavam em uma região de mata isolada, quando se depararam com os garimpeiros. Eles foram perseguidos e assassinados, mas apenas um corpo foi encontrado, de acordo com a PF.

 Cerca de 27 mil indígenas vivem na Terra Indígena Yanomami — Foto: Reprodução/ Hutukara Associação Yanomami


Durante a investigação da polícia foram encontrados indícios de garimpo ilegal e um acampamento no local onde os Yanomami foram assassinados. Também havia cartuchos descartados no local.

Os mandados da operação desta quinta foram expedidos pela 1ª Vara Federal de Roraima, após pedido da polícia e manifestação favorável do Ministério Público Federal (MPF). A operação chama Ábdito, em referência ao isolamento dos indígenas e à localidade dos crimes quanto à ocultação dos suspeitos.

Estima-se que 20 mil garimpeiros estejam infiltrados na Terra Yanomami, que é o maior território indígena do país dividido entre Roraima e o Amazonas. Segundo o Instituto Socioambiental, há 26.780 indígenas vivendo na região.

Assassinato

O conflito ocorreu em 12 de junho na comunidade Maloca do Macuxi, região do rio Parima, município de Alto Alegre. Os dois jovens assassinados estavam em um grupo de cinco indígenas quando se depararam com os dois garimpeiros próximo a uma pista clandestina para pouso de helicóptero.

“Os garimpeiros, ao verem eles, atiraram e acertaram um. O grupo correu no meio da floresta, houve perseguição, e o outro indígena também foi atingido”, disse Júnior Yanomami.

Os indígenas relataram que a perseguição durou cerca de uma hora. Eles estavam armados com flechas, mas não conseguiram atingir os garimpeiros. O ataque foi por volta de 15h.

Tensão após confronto

Duas semanas após o conflito, a Associação Hutukara Yanomami divulgou uma carta temendo que um novo ciclo de violência iniciasse no território Yanomami.

“Tememos que os familiares dos Yanomami assassinados decidam retaliar contra os garimpeiros seguindo o sistema de Justiça da cultura Yanomami, podendo levar a um ciclo de violência que resultará numa tragédia”, diz trecho da carta.

A tensão no território indígena foi comparada ao Massacre de Haximu, que ocorreu no ano de 1993 em Roraima, quando garimpeiros promoveram uma chacina contra os Yanomami, matando 16 índios. Este foi o primeiro caso reconhecido como genocídio pela Justiça do Brasil.

A carta dos indígenas pedia, ainda, que o assassinato dos Yanomami fosse investigada com rigor e que o governo federal passe a agir para retirar os invasores “que exploram a Terra Yanomami ilegalmente assediando e agredindo as comunidades indígenas que ali vivem”.