O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, afirmou nesta quarta-feira (3) que a população negra é mais atingida pela pandemia do novo coronavírus. “A população preta tem 37,5% mais chance de óbito que a população branca na cidade de Sâo Paulo”, afirmou.  

De acordo com o prefeito, esse impacto se deve a dois motivos. A primeira razão é que a população negra vive majoritariamente na periferia, onde a letalidade do vírus é maior. A segunda razão é, segundo Covas, a maior prevalência na população negra de comorbidades, como diabetes e hipertensão.

Covas também se manifestou sobre a morte do menino João Pedro, no Rio de Janeiro, a morte de George Floyd, nos Estados Unidos, e as manifestações contrárias ao racismo que ocorrem nos dois países.

“As cenas que vemos pelo mundo de manifestações contra a discriminação e por justiça são tocantes, não podemos mais adiar e colocar por debaixo do tapete este tema tão fundamental para nossa sociedade, falar sobre racismo, ensinar crianças valores que rompam essas amarras”, disse. 

A cidade de São Paulo tem, afirmou Covas, 40% de pretos e pardos em sua população e sobre eles pesam indicadores sócio-econômicos desproporcionais. “São reveladores de menores oportunidades e maiores dificuldades. Em todos eles, a desigualdade se revela”, afirmou. “A renda média dos brancos é mais do que o dobro da dos negros. A expectativa de vida chega a ser de oito anos a menos nos bairros mais pobres, onde grande parte da população vive. Eles são 57% das vítimas de violência dos homicídios. Precisamos aprender sobre isso, mesmo no impacto do coronavírus”.

Covas enfatizou a necessidade de lidar com o problema do racismo. “Jamais me senti discriminado, jamais passei pelo constrangimento de explicar ao meu filho que ele poderia ser discriminado pela cor da sua pele, mas reconhecer que o racismo existe e está espalhado em nossa sociedade e pelas nossas casas é fundamental. Não podemos apagar a história, mas podemos mudar a nossa visão sobre ela e construir um novo amanhã. Racistas não passarão”.