Quando a dona de casa Débora Seabra Gonzaga, 51 anos, foi ao mercado na zona norte de São Paulo para fazer as compras domésticas no início da semana, se assustou ao presenciar uma cena que está ficando cada vez mais comum: “Vi pessoas brigando por causa de papel higiênico e álcool gel. A atitude assusta. É hora de nos ajudarmos, mas parece que estamos cada um por si”, conta.

Com os decretos de quarentena pelas cidades do país, brasileiros alarmados correram para os supermercados para garantir o que faltava na despensa. No entanto, o pânico foi tamanho que alguns estabelecimentos chegaram a limitar a quantidade de determinados produtos por cliente.

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Segundo o especialista em gestão financeira pela FGV e fundador da GoFind, Felipe Sammy, não é apenas o pânico que explica o comportamento de consumo durante a pandemia. Como líder de uma plataforma que localiza quais produtos estão disponíveis nas gôndolas de 600 mil lojas, o empresário acredita que a mudança é justificável, mas garante: a longo prazo, a estocagem é uma prática inviável.

“O isolamento social mudou de forma abrupta a jornada de consumo das pessoas. Naturalmente, a cesta do supermercado será maior do que de costume”, explica Sammy. “No período pré-pandemia as empresas de alimentos estavam operando com capacidade ociosa, ou seja, mesmo que a demanda por produtos aumente, o Brasil está preparado para continuar abastecendo as famílias sem problemas. Não há motivo para estocar alimentos além do necessário para sua família.”

Para evitar situações de stress durante as compras nesse período, o empresário defende a aposta nos pequenos negócios como uma saída para evitar aglomerações e também movimentar a economia local.

“Consumir local de pequenos negócios é muito importante para manter a economia ativa. Apesar dos restaurantes estarem migrando suas operações para plataformas de delivery, cozinhar seu próprio alimento pode ser três vezes mais barato. Comprar itens essenciais como alimentos, bebidas, higiene, limpeza e farmacêutico nas proximidades, ajuda na economia e evita deslocamentos desnecessários.”