O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, suspendeu nesta sexta-feira (19) a atração “Coroação a Nossa Senhora dos Travestis”, que participaria da Virada Cultural de BH neste sábado (20), após a Arquidiocese de Belo Horizonte se manifestar publicamente contra a realização do evento, classificando-a de desrespeito à fé cristã católica.


O gestor municipal comunicou o cancelamento em sua conta no Twitter. Em sua fala, Kalil afirmou que defende “todas as liberdades”, mas informou que “ninguém vai agredir a religião de ninguém”.

Mais cedo, ainda nesta sexta-feira, a Arquidiocese de Belo Horizonte publicou uma carta em nome de dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em que pedia a suspensão da atração cultural.

No texto, a igreja defende que a “Coroação a Nossa Senhora dos Travestis” é uma “ação preconceituosa e criminosa. A arquidiocese religiosa ainda convocou “todos os católicos a se manifestarem”.

Leia o comunicado da Arquidiocese de Belo Horizonte na íntegra: CLIQUE AQUI

“Coroação a nossa senhora dos travestis”

A “Coroação a Nossa Senhora dos Travestis” é uma das mais de 400 atrações da Virada Cultural de BH. Dentre os nichos contemplados pelo evento, há espaço para variados gêneros artísticos, incluindo aqueles assumidamente mais voltados à comunidade LGBT.

De iniciativa da Academia TransLiterária, a “Coroação” estava programada para acontecer às 20h deste sábado (20), no Espaço Rio de Janeiro da Virada, na rua de mesmo nome, no Centro. De acordo com uma descrição do evento no Facebook, a atividade convidava os participantes a conhecerem a “travesti rainha” e a coroarem.

A atração teria início na Igreja de São José, na Afonso Pena, seguida por caminhada pela avenida até o palco da Praça 7, no Espaço Rio de Janeiro. A atividade tem duração de 60 minutos e classificação indicativa livre.

Leia parte da descrição do evento no Facebook:

“Durante a performance integrantes do coletivo se apresentam de forma ritualística para SUA Senhora, a Nossa Senhora das Travestis, e convidam os passantes à participação – procissão. São distribuídos a cada pessoa interessadas santinhos com a Oração da Nossa Senhora das Travestis e, simultaneamente, ocorre apresentação de músicas autorais e/ou paródias”.

Academia TransLiterária

Ainda de acordo com textos publicados pelos organizadores da “coroação”, a Academia TransLiterária é um grupo formado por artistas travestis, transsexuais e transgêneros, incluindo pessoas cisgêneras próximas à pauta, e tem como objetivo investigar estratégias, estéticas e linguagens artísticas, promovendo a difusão do protagonismo da cultura trans e periférica.

A reportagem procurou o coletivo para posicionar-se sobre o cancelamento da atração e aguarda retorno. A Prefeitura de Belo Horizonte também foi procurada e ainda não se posicionou.

Fonte: Hoje em Dia