Em meio a uma campanha contra a Lava Jato, deflagrada com o vazamento de conversas ao celular pelo site The_Intercept, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, encontrou na manhã desta quinta-feira o presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada, e ambos seguiram de lancha para um evento da Marinha. Nele, Moro foi condecorado com a medalha da Ordem do Mérito Naval.

Sentado ao lado de Bolsonaro, com outros 13 ministros de Estado, Moro assistiu à comemoração do aniversário de 154 anos da Batalha do Riachuelo. Foi um sinal de prestígio e apoio moral, em meio ao momento em que ele enfrenta sua própria batalha, acusado de interferir indevidamente nas investigações da Lava Jato, com base nos diálogos hackeados com promotores do Ministério Público. “Criminoso é o hacker”, disse, sobre as acusações.

Tais conversas passaram a ser utilizadas pela oposição para questionar a lisura dos processos da Lava Jato, em especial os que levaram às condenações do ex-presidente Lula, a quem Moro estaria perseguindo em conluio com Bolsonaro. “A verdade fica doente, mas não morre nunca”, disse Lula, segundo seu advogado, Roberto Batochio, que o visitou na prisão.

A principal acusação é de que Moro não poderia orientar o Ministério Público nas investigações. Isso, porém, é facultado pela Lei 11.690/08, artigo 156, inciso I, do Código de Processo Penal, que dispõe que o juiz de ofício pode “ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida.” (Leia mais aqui)

Moro irá ao senado no dia 19, depôr na Comissão de Constituição e Justiça, para explicar as gravações. A data foi marcada em acordo entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e lideranças de oposição.

HACKEAMENTO

Apesar disso, o material hackeado pelo The_Intercept alimentou as baterias da oposição, que têm em vista o andamento dos seis inquéritos contra o ex-presidente, cujos recursos até agora foram negados pela Justiça e cujas condenações em somatória podem impedir que seja libertado novamente.

O ataque contra Moro se acentuou com a ameaça do PT de tentar bloquear no Congresso todos os projetos de interesse do governo – o que a oposição faz, por sinal, há muito tempo, incluindo o período anterior aos governos do PT.

Bolsonaro colocou-se ao lado de Moro, a quem na véspera dera seu apoio “irrestritamente”. Atacar a Lava Jato, nesta hora, não apenas coloca sob ameaça todo o combate à corrupção realizado até aqui. É também um trabalho para bloquear  governo e devolver o país a um passado  rejeitado nas urnas da última eleição.

A campanha contra Moro é orquestrada por meio da vasta rede construída pelo PT na internet. Tem a seu lado o The_Intercept, dirigido por Glenn Greenwald, premiado pela divulgação de documentos também hackeados do caso Snowden, que o levou a refugiar-se no Brasil. É casado com um brasileiro, o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), suplente de Jean Wyllis, que ocupa seu lugar desde que este decidiu autoexilar-se, alegando correr risco de vida no país.

Vale contra Moro qualquer argumento, o mais pífio que possa ser, na velha tática petista de repetir mentiras á exaustao, até se tornarem verdade.

Um deles, assinado pelo ex-jornalista Gilberto Dimenstein, publicado no site Catraca Livre, estabelece até mesmo a “relação entre Sérgio Moro e Najila Trindade”. Segundo Dimenstein, a ligação entre o ministro e a mulher que acusa o jogador Neymar de estupro existe porque, ao aceitar um cargo no governo Bolsonaro, “Moro ajudou a desgastar uma luta de todos os brasileiros contra a corrupção e a impunidade”.

Tal é a força dos argumentos contra Moro – e a credibilidade de seus detratores.