Chegada do COVID-19 ao Brasil aumentou procura por itens de proteção e higiene. Pesquisa busca evitar preços abusivos.

Máscaras higiênicas — Foto: Jefferson Barbosa/EPTV

O Procon-SP anunciou nesta sexta-feira (28) que fará um levantamento dos preços de máscaras de proteção e álcool gel em 15 farmácias da capital paulista. De acordo com o instituto, a medida, feita em conjunto com a Secretaria de Justiça e Cidadania de São Paulo busca “identificar se os estabelecimentos estão cobrando valores abusivos em função do coronavírus”.

O órgão já recebeu, por meio das redes sociais, algumas manifestações de preços abusivos dos produtos em farmácias da cidade de São Paulo.

Segundo a assessoria de imprensa do Procon-SP, a decisão de realizar a pesquisa se deu pela propensão deste tipo de cobrança elevada ocorrer, considerando o conceito da “lei da oferta e da procura”, segundo qual o preço de um produto aumenta conforme a procura por ele cresce, como é o caso dos itens de higiene utilizados na prevenção da contaminação pelo COVID-19.

Se for detectado um aumento injustificado e excessivo nos preços, as empresas poderão ser multadas. O cálculo que determina os valores das multas leva em conta a receita bruta e o porte das companhias, o grau das infrações que cometeram e as vantagens obtidas por meio dessas.

O órgão também informou que irá apurar o modo como esses materiais estão sendo comercializados, ou seja, “se a quantidade para venda está sendo fracionada a fim de permitir que todos tenham acesso aos produtos”. A previsão é de que o resultado da análise seja divulgado na primeira quinzena do mês de março.

Em falta

Com o primeiro caso do novo coronavírus confirmado em São Paulo, a busca por máscaras cirúrgicas ou higiênicas e álcool gel fez os itens sumirem de farmácias e esgotarem o estoque de uma distribuidora.

Ministério da Saúde afirmou na quarta-feira (26) que está comprovado o caso positivo de coronavírus no Brasil. Trata-se de um homem que mora em São Paulo, tem 61 anos, e veio da Itália. Esse é o primeiro caso da doença no país e em toda a América Latina.

O G1 esteve em cinco farmácias da Zona Oeste da cidade na quarta-feira e não encontrou máscaras, nem álcool gel em nenhuma delas. A rede Cirúrgica Sinete, que têm 12 lojas na capital, informou que apenas na manhã desta quarta vendeu as cerca de 10 mil máscaras restantes.

“Estou com gente pedindo até de Campinas, de hospitais, ligando que não tem máscaras para trabalhar. Estamos pedindo até pra China para trazer”, disse a supervisora da rede, Fátima Batista Câmara.

Em janeiro, com o aumento do surto na China, houve um movimento de chineses comprando o produto em lojas paulistas para enviar a parentes. No entanto, nesta quarta, a compra é feita por brasileiros, segundo Fátima. A rede espera conseguir repor o estoque nesta quinta-feira (27).

A distribuidora Adecil também informou que o estoque foi zerado nesta quarta-feira. Mais de 15 mil máscaras foram vendidas pela internet, para todo o Brasil, sendo o Sudeste (53%) e o Sul (32%) os campeões de compras.

“A gente viveu dois momentos. Em janeiro, teve um boom nas últimas duas semanas, que zerou o estoque. Quando a gente estava começando a colocar os pedidos em ordem, a fila aumentou de novo”, disse o diretor da Adecil, Julio Cesar Nogueira de Sá.

“Por exemplo, uma curiosidade, teve 34 pedidos nesse tempo que a gente está conversando, uns dois minutos”, completou o diretor ao G1.

A venda de álcool gel também aumentou. A distribuidora Allmax disse que apenas nesta quarta 30% do estoque – de cerca de 500 litros – foi vendido. Os mesmos 30% costumam durar cerca de 15 dias, informou o diretor comercial da empresa, Fabio Bertocci.

Segundo Bertocci, um condomínio no Morumbi que compra um galão de 5 litros por ano, comprou 10 galões nesta quarta.

Máscaras servem para a proteção?

Apesar de muita gente ter passado a usar máscaras para se tentar se prevenir do Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, especialistas dizem que o uso delas não é necessário para a população em geral no atual estágio da epidemia.

Para Wladimir Queiroz, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, especialista em doenças infecciosas e parasitárias e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), máscaras são recomendadas “só para quem estiver em contato com alguém com qualquer sintoma gripal”.

Nancy Bellei, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e consultora da SBI, afirma: “O uso de máscaras é recomendado para profissionais de saúde e pacientes infectados que circulam em ambientes públicos ou hospitalares”.

A recomendação para quem usa a máscara é usá-la bem justa ao rosto, sem vãos laterais que permitam a circulação de gotículas que possam estar contaminadas.