Após tombamento de seu Centro Histórico, moradores do bairro na Zona Leste querem arborizar suas ruas, criar corredores verdes e melhorar a qualidade de vida na região

imagem: Facebook/divulgação

Com apoio da Subprefeitura Penha e da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), o Coletivo Muda Penha, iniciativa de moradores da Penha de França e de outras regiões da cidade, vai dar início a um projeto ousado de participação popular para arborizar as ruas do tradicional bairro da Zona Leste de São Paulo.

Inspirado em coletivos de plantios urbanos atuantes há vários anos em bairros como Mooca, Vila Mariana, Ipiranga, Vila Leopoldina e Butantã, entre outros, a Penha de França, área central do distrito que é um dos mais antigos da capital paulista, inicia no próximo dia 8 de fevereiro o primeiro de uma série de plantios voluntários em suas calçadas. A proposta é tornar mais verde a área envoltória ao Centro Histórico do bairro, datado do século 17, e que em 2018 foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).

O local escolhido para iniciar as ações de plantio fica na esquina da rua Santo Antero com rua Vera Cruz, ao lado de uma área que pertence ao Governo Federal e na qual pretende-se instalar um parque, objeto de um Projeto de Lei que já tramitou na Câmara dos Vereadores e aguarda a sanção do prefeito. Contudo, ainda é preciso transferir ao município a área de pouco mais de 7 mil m², com vegetação nativa, que guarda os antigos trilhos de uma linha férrea e onde está instalado um imóvel datado de 1938, também tombado pelo Conpresp.

Em um trecho de uma rua sem saída, atualmente sem uso, o Muda Penha irá criar uma pequena praça, mantendo o piso original de paralelepípedos, plantando 15 árvores nativas, incluindo diferentes variedades de Ipês, um Jatobá, e espécies frutíferas, como Jabuticaba, Bacupari, Grumixama, Cereja do Rio Grande, Uvaia e Pitanga, todas originárias da região.

Com isso, espera-se diminuir os efeitos negativos das ilhas de calor, propiciar um refúgio para a avifauna local, promover o cultivo de flores e ervas aromáticas, além de recriar um ambiente propício para atrair pessoas, preservando a memória histórica e promovendo a sociabilidade no bairro. O Muda Penha vai receber apoio de plantadores de outras regiões da cidade, mas moradores do bairro podem participar e sugerir ruas para plantio, nas quais poderão ser guardiães das árvores plantadas, cuidando para cresçam seguras e saudáveis.

Todo o plantio será feito de acordo com o manual técnico de arborização urbana da Prefeitura de São Paulo, com atenção às espécies nativas adequadas, em termos de porte e raízes, para que não interfiram em tubulações enterradas e fiação aérea, tampouco danifiquem as calçadas. A Subprefeitura dará apoio logístico para o plantio, e as mudas serão fornecidas pela SVMA. A área de plantio proposta pelo Muda Penha permitirá criar corredores verdes, unindo o Parque Linear Tiquatira, na região do Cangaíba, ao piscinão do córrego Rincão, entre as estações do metrô Penha e Vila Matilde.

Questões como iluminação, podas preventivas, segurança, coleta de lixo e posse responsável de animais também estão no horizonte do coletivo Muda Penha, que fará ações de educação ambiental em escolas da região, conscientizando para a importância do envolvimento das pessoas na zeladoria urbana. “A ideia é tornar a Penha um bairro sustentável, em diferentes aspectos”, dizem os organizadores do coletivo.

Serviço:

Primeiro Plantio do Muda Penha

Onde: Rua Santo Antero, esquina com rua Vera Cruz – Penha

Quando: 8 de fevereiro, sábado, das 8h às 12h

Mais informações: facebook.com/mudapenha | instagram.com/mudapenha