Representantes de blocos, da Riotur e especialistas avaliaram que não é possível realizar o evento sem a existência de uma vacina. Desfiles das escolas de samba foram adiados em setembro.

Uma reunião virtual na noite de terça-feira (27) definiu que em 2021 não vai ter carnaval de rua na cidade do Rio. O encontro contou com representantes dos blocos, da Riotur e de especialistas em saúde e em segurança pública.

Todos concordaram que não seria viável nem seguro realizar um evento do tamanho do carnaval de rua carioca durante a pandemia do coronavírus, doença que já matou mais de 150 mil pessoas no país.

“Realizadores e desfilantes já tinham este posicionamento de que não iam desfilar sem a vacina. O nosso posicionamento é que não tem carnaval em 2021. Vai pular para 2022, e se lá a gente tiver condições de realizar” disse Fabrício Villa Flor, presidente em exercício da Riotur.

Especialistas em saúde apoiaram a decisão. O infectologista e professor Roberto Medronho, da UFRJ, não descarta uma versão da festa ano que vem, caso a população esteja imunizada.

“A minha avaliação é que, tendo a vacina e uma cobertura vacinal adequada, e ela sendo segura e eficaz, nós poderíamos fazer não em julho, mas em meados do segundo semestre, como outubro”, propôs Medronho.

“Eu estou preocupado com o verão, pois vai acontecer conosco o que aconteceu com a Europa. A gente ter uma segunda onda sem terminar a primeira”, afirmou o infectologista.

A promotora Andréa Amin também apoia a iniciativa de não ter carnaval de rua no ano que vem.

“Eu fico ouvindo as coisas, e me dá muita tristeza porque eu não vejo perspectiva para termos um carnaval em 2021. Por mais que a gente tente dar uma segurança na sua realização, ele acaba tendo a sua espontaneidade como festa. E muita gente é irresponsável e, se tiver carnaval, vai para a rua”, disse a promotora.

Os representantes dos blocos vão pensar em campanhas e alternativas para a festa do ano que vem.

“Podemos trabalhar em uma campanha compartilhada. Podemos trabalhar no campo da prevenção. E, entre nós, grupos de carnaval, pensarmos no que podemos fazer no campo simbólico das lives e outras manifestações”, afirmou Rita Fernandes, presidente da Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua do Rio de Janeiro.

Monobloco arrasta multidão no Centro do Rio — Foto: Fernando Maia/Riotur/Divulgação

Monobloco arrasta multidão no Centro do Rio — Foto: Fernando Maia/Riotur/Divulgação