Líder nas pesquisas de intenção de votos para a prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno (Republicanos) diz que aposta na redução da alíquota do Imposto sobre Serviços (ISS) como forma de atrair empresas para a capital.

Em debate com empresários promovido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o candidato afirmou que a alíquota de 5% tem levado empresas para cidades vizinhas, que têm imposto menor.

“Há 10 anos, todos os call centers estavam aqui. Hoje, o sotaque ou é do Sul ou do Nordeste. Foram embora porque o ISS é caro”, disse.

De acordo com Russomanno, as próximas empresas que devem deixar a capital são as franqueadoras. “Além de cobrar 5% de ISS, a prefeitura foi à justiça para cobrar royalties dessas empresas, e o Supremo concordou”, disse.

O ISS é a principal fonte de recursos do município. O candidato disse que pretende fazer uma redução gradativa do imposto. “As cidades vizinhas baixaram o imposto e mesmo assim aumentaram a arrecadação porque mais empresas passaram a contribuir.”

Seguido de perto nas pesquisas pelo atual prefeito Bruno Covas (PSDB), Russomanno criticou a gestão da pandemia pelo adversário político. Para o candidato, como as empresas foram obrigadas a fechar na quarentena, os impostos, incluindo o IPTU, deveriam ser suspensos ou facilitados.

“A inadimplência cresceu [com a pandemia] e a prefeitura não tem como executar todos os devedores. Se a pessoa já está com o comércio fechado, a prefeitura tinha de dar sua contribuição, até para ajudar a manter o emprego”, afirmou.

O Republicano falou na possibilidade de facilitar o pagamento do IPTU, parcelando o valor em atraso. Disse ainda que será necessário encontrar novas formas de financiamento para evitar que empresas quebrem, especialmente as pequenas.

“Não posso dizer que a prefeitura tem dinheiro para subsidiar os pequenos, mas vamos incentivar”, disse ele, destacando que sua proximidade com o governo federal facilitará o acesso a recursos. Russomanno é apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Tema recorrente nos debates com empresários, o problema com ambulantes, para o candidato pelo Republicanos, seria resolvido com a criação de espaços voltados especificamente para os informais.

“Podemos criar vários centros de comércio popular como foi feito com a Feira da Madrugada. Levar isso para o Brás, Bom Retiro”, disse.

O candidato disse que é preciso organizar os ambulantes, mas impedir que produtos piratas sejam comercializados.

PARCERIA COM INICIATIVA PRIVADA

Russomanno disse aos empresários que pretende trabalhar uma lei que organize os adensamentos urbanos, criando regras específicas para o retrofit que estimulem a participação da iniciativa privada na modernização da cidade.

“Temos mais de 70 prédios invadidos e mais de 100 abandonados na cidade. O retrofit não acontece porque a legislação dificulta o lucro. Aí o centro não é revitalizado porque a iniciativa privada não vai estar presente”, disse.

Na próxima gestão municipal o Plano Diretor será revisado. O candidato disse que será o momento de melhora a mobilidade da cidade, o que inclui a reformulação das ciclovias.

Russomano é ciclista, disse ter 22 bicicletas, e defende as faixas exclusivas para elas. Mas criticou as vias implantadas na gestão de Fernando Haddad, entre 2013 e 2016. “Não houve critério na implantação. É preciso ouvir a população e os comerciantes que foram afetados pela medida.”  

O candidato pretende criar um canal digital para que a população denuncie os problemas da cidade.

SEGURANÇA

A integração das polícias com a Guarda Civil Metropolitana (GCM) é parte do plano de governo do republicano. “A prefeitura vai subsidiar o processo de coordenação entre as forças de segurança na cidade”, disse.

Russomano falou ainda que pretende trazer de volta o inspetor de quarteirão, figura que data do século 19 e que auxiliava a polícia no monitoramento local. Em São Paulo, a função ainda existia na década de 1970.

O candidato pretende disciplinar a atividade dos guardas noturnos, que pela sua proposta seriam cadastrados e receberiam identificação da prefeitura.

Fonte: Diário do Comércio /