Entre janeiro e junho deste ano, empresa, sob governo Doria, investiu R$ 188 milhões no Projeto Tietê; no mesmo período de 2018, a verba utilizada para despoluir o rio foi de R$ 225 milhões. Mancha de poluição avançou e atingiu 163 km.

Mancha de poluição aumentou no Rio Tietê — Foto: Reprodução/TV Globo

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), estatal controlada pelo governo João Doria (PSDB), investiu R$ 188 milhões em 2019 no Projeto Tietê, conjunto de iniciativas voltadas para a despoluição do rio. O valor representa uma queda de 16% no programa na comparação com o mesmo período de 2018, quando R$ 225 milhões foram investidos. É o que apontam dados exclusivos da Sabesp obtidos pela GloboNews com base na Lei de Acesso à Informação.

De acordo com os números da estatal, o valor investido na despoluição do rio ao longo dos seis primeiros meses deste ano é também inferior ao investimento realizado entre janeiro e junho de 2017 (R$ 197,8 milhões). Os valores estão atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Investimento no Projeto Tietê no 1º semestre

  • 2017 – R$ 197,8 milhões
  • 2018 – R$ 225 milhões
  • 2019 – R$ 188 milhões

A Sabesp informou em nota que “projetos de infraestrutura com características e porte do Projeto Tietê devem ser acompanhados em sua trajetória ao longo do tempo”. Disse ainda que “2019 concentra o início de obras e, com o cenário econômico do país, as licitações têm gerado disputas acirradas que tornam o processo mais lento, mas geram contratações em valores cerca de 30% inferiores” e que haverá uma “elevação dos investimentos nos próximos anos” (leia nota completa abaixo).

Iniciado em 1992, quando da gestão do então governador Luiz Antônio Fleury (PSDB), o Projeto Tietê é um amplo programa, que abrange uma série de medidas, como a ampliação do rede de coleta e de estações de tratamento de esgotos no estado.

Mancha de poluição recorde

O Jornal Nacional mostrou nesta quarta-feira (18) que, após anos de queda, a mancha de poluição do Rio Tietê, avançou e atingiu 163 km, a maior extensão dos últimos seis anos. O cálculo é feito pela Fundação SOS Mata Atlântica.

Na avaliação de Gustavo Veronesi, coordenador técnico do Projeto Observando os Rios, da Fundação SOS Mata Atlântica, há uma relação de causa e efeito entre a queda do investimento no projeto de despoluição do rio Tietê e o aumento de sua mancha de poluição.

“Sempre que houve decréscimo de investimento, a mancha de poluição aumentou. Não vemos sentido em diminuir esse investimento em saneamento, pois isso significa menos recursos usados na melhoria da saúde da população”, explica Veronesi.

De acordo com o especialista, que trabalha diretamente no monitoramento dos níveis de poluição do Tietê há 16 anos, um fator que o preocupa em relação à queda do investimento é que, geralmente, o ritmo de diminuição da mancha é mais devagar do que a sua expansão, como a verificada agora.

“Para sujar o rio, é rápido. Mas, para limpar, demora muito. Durante a crise hídrica, a mancha mais do que dobrou em um ano [entre 2014 e 2015, houve um salto de 71 km para 154,7 km] e de lá para cá vinha caindo, ano a ano, bem lentamente.”

Nota Sabesp

“É importante esclarecer que projetos de infraestrutura com características e porte do Projeto Tietê devem ser acompanhados em sua trajetória ao longo do tempo. A observação de períodos curtos, sob o aspecto estritamente financeiro e sem análise de contexto, pode levar a conclusões equivocadas. Desde 2010, foram investidos no programa R$ 4,125 bilhões.

O período 2017/2018 foi marcado pela reavaliação do programa, estruturação das novas licitações e conclusão de obras prioritárias, como a ampliação da ETE Barueri, maior estação de tratamento de esgoto da América do Sul. O ano 2019 concentra o início de obras e, com o cenário econômico do país, as licitações têm gerado disputas acirradas que tornam o processo mais lento, mas geram contratações em valores cerca de 30% inferiores. Esses fatores permitirão a elevação dos investimentos nos próximos anos, considerando o volume de licitações em andamento no Projeto Tietê, incluindo as intervenções na bacia do rio Pinheiros.”