Pinto-d’água-carijó, considerada uma das aves mais difíceis de se observar no Brasil, passou por reabilitação e foi solto em Tremembé (SP).

Espécie recebeu cuidados e passou por exames em Centro de Reabilitação — Foto: Ananda Porto/ TG

No dia 14 de maio, técnicos da Prefeitura de São Paulo receberam um chamado de resgate a uma ave que apareceu no quintal de uma casa na Zona Leste, no Itaim Paulista.

Pelas características apresentadas durante a ligação, a equipe já imaginava se tratar de uma saracura, mas só após encaminharem o animal para o Centro de Manejo e Conservação de Animais Silvestres (CeMaCAS) que descobriram que aquela ave era uma das menos conhecidas do Brasil: o pinto-d-água-carijó.

O animal estava saudável e seria devolvido à natureza, mas antes de retornar ao lar era preciso saber um pouco mais sobre ele.

“Como a gente não tinha registro no município de São Paulo e nenhum outro de uma área referente para poder soltar, fomos em busca dos registros históricos onde a ave foi encontrada na natureza. Descobrimos a região de Tremembé”, explica Anelisa Magalhães, bióloga da Divisão de Fauna Silvestre.

Enquanto pesquisadores e ornitólogos buscavam o local apropriado para a soltura da saracura, o animal passou por exames e recebeu cuidados no Centro de Conservação. Em menos de um mês, a ave ganhou até 12 gramas.

Pesquisadores escolheram fazenda em Tremembé (SP) para soltar a ave — Foto: Luciano Lima/TG

Quem ajudou a encontrar uma fazenda em Tremembé para soltar a espécie foi o ornitólogo Fabio Olmos. “Eu já frequentei essa área específica, onde consistentemente essa espécie foi registrada. Já estive no local muitas vezes e muita gente já visitou também o lugar para tentar ver, mas é muito difícil. Agora a gente tem a felicidade de devolver um indivíduo à natureza e esperamos que ele cresça e seja feliz”.

Na propriedade particular, o pinto-d´água-carijó encontra um ambiente adequado para viver. “A fazenda tem plantações de arroz e elas são em áreas úmidas. Entre uma colheita e outra eles deixam descansar os canteiros e isso permite o surgimento desse ambiente de vegetação aquática, o que o pinto-d’água-gosta, e a maioria das espécies de saracura também”, conta o ornitólogo Luciano Lima.

A ave foi solta na quarta-feira (12) e o momento foi muito celebrado pelos pesquisadores. “Eu gosto bastante da ideia de termos uma ave que foi resgatada, reabilitada, engordou, está com bastante ‘combustível’ e é devolvida à natureza. É uma sensação muito boa, uma coisa superpositiva e eu espero que, de repente, ela possa ser vista por alguém”, comenta Olmos.