O número de dependentes químicos que recebem atendimento na região da Cracolândia passou de cerca de 40 mil em 2016 para mais de 56 mil em 2018, segundo dados da Prefeitura de São Paulo.

Enquanto que, em 2016, foram realizados mais de 40 mil atendimentos a usuários de drogas na região, o número passou para 56.710 dois anos depois, em 2018.

A questão é antiga, pois faz mais ou menos 25 anos que a Cracolândia passou a existir na capital paulista, desafiando várias gestões.

Em todo esse tempo, a Cracolândia da luz só mudou de lugar. Se, no começo, ela era espalhada por ruas da região da Luz, hoje, o fluxo de viciados em crack está concentrado na frente de prédios históricos e culturais da cidade, como a Estação Júlio Prestes, de 1938, e a Sala São Paulo de Concertos.

Várias operações policiais foram realizadas na região neste período, na tentativa de resolver o problema. Em 2005, foi realizada a Operação Nova Luz, começando a serem realizadas as internações voluntárias, em 2009, e as internações compulsórias, por parte do governo do estado, em 2013.

Em 2014, foi feita uma nova operação, com o objetivo de acabar com a Cracolândia – a operação Braços Abertos. Em 2017, uma nova operação – a Redenção. Agora, a Prefeitura dá início à segunda fase da operação Redenção.

A Cracolândia começou em 1994, quando a rua dos Protestantes ficou famosa como a rua do crack. Era uma droga relativamente nova e que viciava rapidamente. Os cachimbos começaram a acender e a tomar conta do centro de São Paulo e se espalhando para as ruas Gusmão, Vitória e Triunfo.

Entre 1995 e 2002, com delegacias móveis e de combate ao crack, o governo do estado tentou reverter a situação, com a presença mais efetiva da polícia no quadrilátero mais degradado do centro da cidade.

Nos últimos 15 anos, a Prefeitura e o governo do estado criaram ao menos quatro grandes projetos para revitalização da região e o tratamento de dependentes químicos. No Projeto Nova Luz, as gestões de José Serra e Gilberto Kassab fizeram convênios com comunidades terapêuticas. Para revitalizar a região, a Prefeitura ofereceu redução do IPTU e do ISS por 5 anos para empresas que se instalassem na região.

Em 2014, a gestão do prefeito Fernando Haddad cancelou contratos com comunidades terapêuticas e nasceu o programa Braços Abertos, que previa moradia em hotéis e trabalho remunerado em troca de tratamento por meio da redução gradativa do uso de drogas.

Quando João Doria assumiu a Prefeitura, lançou o programa Redenção, que priorizou as internações com abstinência das drogas. Doria chegou a falar que “a cracolândia acabou, não existe mais”.

Nesta segunda-feira (20), a Prefeitura, na gestão de Bruno Covas, lançou a segunda fase do Programa Redenção, que pretende, na primeira etapa, ter uma abordagem diferente dos dependentes químicos com auxílio de agentes de saúde. Se a pessoa

aceitar ajuda, começa a segunda etapa, que é a acolhida. O usuário de drogas é encaminhado para um local com cama, comida, lazer, onde não será tolerado o uso de drogas.

Depois, o dependente químico pode receber tratamento para a desintoxicação. A prefeitura também vai usar hotéis sociais para abrigar quem estiver em tratamento, que receberá treinamento para conseguir emprego e um auxílio financeiro durante essa etapa.

Operações

Sobre as operações na Cracolândia, a gestão do ex-prefeito Fernando Haddad disse que a política de redução de danos foi implementada com sucesso na cracolândia e que a gestão seguinte optou por outros tipos de ações.

O governo de João Doria, através da Secretaria Estadual da Saúde, falou que o estado tem, desde 2013, o programa Recomeço para acolher e tratar dependentes químicos.

O ex-prefeito Gilberto Kassab disse que a existência da Nova Luz não significa não ter a Cracolândia e que as gestões seguintes optaram por não manter o projeto e também outros trabalhos realizados no governo dele.

Os governo de José Serra e Geraldo Alckmin não se manifestaram.

Fonte: As informações iniciais são do portal de notícias ‘G1’.