Temporada 2020 do Theatro Municipal de SP terá 7 óperas, peças de teatro, circo, shows e programação gratuita

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‘Objetivo é representar todas as linguagens’, diz Hugo Possolo, diretor artístico do Municipal. Haverá apresentações gratuitas.

O Theatro Municipal, um dos espaços artísticos mais tradicionais de São Paulo, passa por uma transformação porque quer se tornar mais acessível e ser mais frequentado por todos os paulistanos. A Temporada 2020, anunciada nesta semana, traz opções para os amantes da música, dança, circo, e teatro de todos as idades. A ideia é aproximar o público do espaço, ainda visto por muitos como inacessível.

2020 trará 7 óperas em 6 montagens, misturando peças mais clássicas e novas leituras do formato. Para Hugo Possolo, diretor artístico do Theatro, as apresentações mais eruditas seguem em evidência, com o propósito de trazer novos espectadores e apresentar esta arte para novos públicos. “O objetivo é representar todas as linguagens, não somente as primordiais, como ópera e concerto. Não deixando isso de lado, pois inclusive aumentamos a quantidade de óperas neste ano, mas trazendo outras e novas maneiras. ”.

Dados de um relatório de pesquisa de perfil de público e satisfação realizado pela AGP Pesquisas Estatísticas mostraram que, em 2019, mais apresentações foram prestigiadas por novos espectadores. 42% foram ao Municipal pela primeira vez. Em 2018, o número era menor, 34%. Além disso, a faixa etária até 29 anos foi a que esteve mais presente nos espetáculos, representando 37% do total de espectadores contra 28% do mesmo período do ano passado.

“O público em concerto, em danças, nas óperas, é novo. Boa parte desse público é mais jovem. Isso significa que estamos aproximadamente essa linguagem, as pessoas estão se aproximando dela, e assim não fica uma coisa tão distante”.

“Arte é ocupar. Precisamos ocupar com a arte os equipamentos municipais da cidade. Estamos ocupando a cidade com a arte e mostrando que ela tem valor, tem significado e que ela não pode ser atacada”.

Temporada Lírica

De acordo com Possolo, nas óperas, a ideia é “trazer novas linguagens temáticas contemporâneas, que tenham a ver com o dia de hoje e que também tragam uma visão feminina”.

Aida, do compositor italiano Verdi, abre a temporada lírica, com direção de Bia Lessa. O drama é ambientado no Egito antigo e conta a história do amor entre uma princesa etíope que é capturada e escravizada e um general egípcio. A ópera foi montada no Theatro Municipal de São Paulo em 1912, 1993 e 2013, mas é a primeira vez que terá uma mulher brasileira à frente da direção cênica no palco do Municipal.

A segunda montagem apresenta um programa duplo de duas óperas curtas, baseadas nas peças de Plínio Marcos: Navalha na Carne, composição de Leonardo Martinelli, e Homens de Papel, de Elodie Bouny. Esta é a primeira vez que o Theatro encomenda óperas em 108 anos de história.

Depois, um grande clássico: Don Giovanni, obra-prima de Wolfgang Amadeus Mozart sobre um conquistador que aborda temas como machismo, abuso, vingança e morte. O drama terá direção de Lívia Sabag e, assim como Aida, esta também é a primeira vez que uma mulher assina esta produção. A ópera teve sua estreia no Brasil no próprio Theatro Municipal, em 1956, e foi encenada pela última vez em 2012.

A quarta ópera do ano é um título contemporâneo, Benjamin, do compositor e maestro alemão Peter Ruzicka, A ópera será traduzida para o português e conta a história do filósofo alemão Walter Benjamin, em sua fuga do regime nazista.

A penúltima montagem do ano é Fidelio, única ópera de Beethoven, e será encenada como parte das celebrações dos 250 anos de nascimento do compositor alemão. A produção será realizada em novembro fora da sala de espetáculos do Theatro Municipal, como parte do programa “Rolê no Municipal”, em um local aberto ao grande público que será anunciado em breve.

Encerrando a temporada lírica 2020, O Morcego, de Johann Strauss Filho, com a Orquestra Experimental de Repertório, sob a regência do maestro Jamil Maluf. A ópera cômica se passa em uma festa de réveillon.

Acessibilidade e Diversidade

Em 2019, 27% da programação do Theatro foi gratuita, segundo a pesquisa. Para Possolo, essa tendência veio para ficar. “Estamos na busca de uma política de preço mais acessíveis. Temos democratizado e movimentado bastante o espaço”.

O projeto que retomou as peças teatrais à programação regular de um dos palcos mais importantes de São Paulo também segue em 2020. É o Theatro no Municipal que traz montagens profissionais que já estiveram em cartaz, mas que agora podem ser vistas a R$ 5.