Ministro da Saúde pediu para os brasileiros evitarem a compra dos produtos cirúrgicos e fazerem seus próprios itens de segurança

Apesar de o Ministério da Saúde ter passado a estimular a produção de máscaras caseiras pela população, elas continuam sendo um meio bastante limitado para evitar a propagação da covid-19.

Os médicos entrevistados fazem várias ressalvas às máscaras caseiras, ainda que vejam nelas alguma utilidade na guerra contra o coronavírus. 

O pneumologista do Hospital Oswaldo Cruz, Elie Fiss, explica que qualquer proteção na frente da boca e do nariz pode ajudar a conter a dispersão dos vírus se alguém que estiver contaminado usá-la. 

Fiss observa que esse tipo de máscara tem eficácia quase zero para evitar contágios. “Todo material funciona como barreira, mas, por ser permeável, não evita a entrada do vírus.”

Em suma, usar a máscara é um ato educado para reduzir os riscos de contaminação dos outros, não o seu, principalmente sabendo-se que a covid-19 é assintomática na maior parte das pessoas e você pode estar infectando muita gente por aí sem perceber.

Não mudou nada com a orientação do Ministério da Saúde, reafirmada quarta-feira (1º) pelo titular da pasta, Luiz Henrique Mandetta. “Desde o começo a gente vem falando que a máscara cirúrgica tem que ser usada por quem está doente, e não por todo mundo. Sabíamos que com o decorrer do tempo, com mais e mais contaminados, elas não seriam mais suficientes. Por isso é salutar o estímulo, desde que fique claro que elas estão muito longe de uma proteção definitiva.”

O médico infectologista Cláudio Gonsalez, do Hospital Emílio Ribas, acrescenta que não se pode passar de forma alguma a ideia de que as máscaras caseiras deixam a pessoa livre do coronavírus.

“Não se pode trazer a falsa impressão de que a máscara está protegendo essa pessoa e de que ela pode deixar a quarentena.” 

Gonsalez alerta também que o Ministério da Saúde prometeu divulgar a forma como as máscaras podem ser feitas e como devem ser usadas. “Prometeram um novo protocolo, mas antes de ele sair, as pessoas estão se antecipando.”

Para os médicos, o material utilizado na confecção do item de segurança importa pouco, o que intessa é que exista uma mínima barreira, que jamais será completamente eficaz, como foi dito.

Para o professor de infectologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Celso Granato, a orientação mudou por causa dos novos conhecimentos sobre a doença.

O especialista destaca que em função de esse ser um vírus mais transmissível do que se imaginava no começo, é possível que o contágio não ocorra apenas por gotículas, mas também por partículas que ficariam “boiando” no ar por uns 20 minutos. Por isso, diz Granato, a máscara poderia ter algum benefício.

“Ainda que não seja uma proteção maravilhosa, se a máscara proteger 30%, será melhor do que nada”, diz Granato.