Câmeras de segurança gravaram crimes entre julho e agosto. Cenas mostram jovens atacando pedestres para roubar celulares e joias. Polícia diz que irá analisar imagens e reforçar policiamento.

O bairro de Higienópolis, região nobre no Centro de São Paulo, voltou a registrar a ação da “gangue da bicicleta, como ficou conhecida a modalidade criminosa na qual ladrões roubam e furtam as vítimas usando bikes.

Vítimas ouvidas pela reportagem relatam que os roubos e furtos de celulares, relógios e joias por jovens em bicicletas e a falta de segurança nas ruas do bairro são frequentes há cinco anos.

Veja aqui outros vídeos da ação da “gangue da bicicleta” em Higienópolis, no ano passado.

Mas neste ano, segundo moradores, os ataques da “gangue da bicicleta” aumentaram em meio à pandemia de coronavírus, mesmo com menos pessoas circulando. Segundo elas, ao menos sete casos ocorreram no período de isolamento social.

Os alvos dos criminosos são pedestres distraídos, homens, mulheres e idosos. Alguns são moradores, outros transeuntes, clientes ou frequentadores do Shopping Higienópolis, que acabam surpreendidos por um ou mais jovens em bicicletas.

Essas vítimas contam que, em outros casos, os criminosos fazem menção a estarem armados. As vítimas, assustadas, entregam os objetos pessoais de valor.

Segundo moradores, câmera gravou rapaz em bicicleta que ataca duas mulheres na Avenida Higienópolis, na manhã do dia 21 de julho — Foto: Reprodução/Redes sociais

Os dois ataques de ladrões em bicicletas que aparecem nas cenas acima ocorreram na Avenida Higienópolis, que fica a menos de 500 metros de distância do 7º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM-M), na Avenida Angélica.

Um vídeo gravado no final da manhã de 21 de julho mostra um jovem de bicicleta dando a volta e indo na direção de duas mulheres que caminhavam na calçada. Na cena é possível ver o rapaz esticando a mão para pegar o colar de uma delas. Não há confirmação se ele fugiu levando o bem da vítima.

Outra gravação, feita por duas câmeras na noite de 2 de agosto, mostra outro jovem pedalando na avenida e dando a volta para se aproximar de uma garota, que caminhava sozinha. Ele sobe a calçada com a bike de aluguel por aplicativo, sai dela e vai em direção da vítima. Após anunciar o assalto, ela entrega o celular ao bandido, que foge.

Como muitas pessoas não registram os assaltos na polícia, existem casos subnotificados e o número de roubos pode ser maior do os sete casos relatados por moradores.

Policiais militares são responsáveis por rondas ostensivas, muitas vezes com viaturas, pela região.

Mas segundo vítimas ouvidas pela reportagem, mesmo com a proximidade de uma base fixa da PM, a sensação deles é de insegurança em Higienópolis, principalmente durante o período de pandemia do coronavírus.

“Isso de moleques de bicicletas roubarem pedestres acontece há muito tempo, mas acho que na quarentena se agravou”, criticou um educador de 31 anos. Ele aceitou falar com a reportagem desde que o nome dele não fosse divulgado.

Em 21 de maio, o educador teve o celular roubado por um jovem de bicicleta após sair do Shopping Higienópolis, na Rua Doutor Veiga Filho.

“Acredito que outra pessoa me viu andando com o celular e avisou o bandido que me roubou, porque foi muito rápido, ele virou a esquina e veio direto em mim”, afirma a vítima, que registrou boletim de ocorrência na delegacia eletrônica, pelo site.

Muitos dos celulares e dinheiro levados nos vídeos não viram estatística porque as vítimas desistem de registrar o boletim de ocorrência na polícia.

Câmera de segurança grava jovem em bicicleta abordar garota na Avenida Higienépolis e anunciar assalto no dia 2 de agosto — Foto: Reprodução/Redes sociais

Alguns criminosos agem sozinhos, outros em duplas e fogem com os pertences de quem mora ou trabalha no bairro. As “feiras do rolo” são os destinos dos celulares roubados pela “gangue da bicicleta”. Lá os aparelhos são negociados e vendidos.

“Frequento o bairro e vejo relatos de roubou à qualquer hora do dia, não me sinto mais seguro e não pego mais meu celular na rua para nada”, disse o educador.

Segundo as vítimas, não há policiamento ostensivo na região e que a investigação ainda não conseguiu identificar e prender as quadrilhas que agem no bairro.

“Vejo declarações de pessoas sendo roubadas pelo mesmo motivo faz quase cinco anos e ninguém faz nada. O mínimo que tinha que ter seriam duas bases da Polícia Militar, uma próxima ao Shopping Higienópolis e outra próxima ao Metrô Marechal Deodoro, porque eles roubam os celulares e correm em direção ao Minhocão”, sugere o educador.

Outra vítima relata tentativa de assalto cometida pela “gangue da bicicleta”.

“Estava atravessando a Avenida Higienópolis com meu celular no bolso mas com os fones no ouvido e um desses garotos de bicicleta percebeu e fez a volta e subiu na calçada em frente ao shopping e veio em sentido oposto ao meu e tentou tirar o aparelho do meu ouvido”, disse um corretor de imóveis, de 73 anos, morador do bairro.

Além dessa tentativa de assalto, o corretor conta que já foi vítima de roubo por duplas em motos, no final do ano passado e anos antes.

“Fui abordado por dois indivíduos em uma moto que levaram dinheiro, celular, minha aliança e meu cordão de ouro que estava por dentro do agasalho. Tudo isso com arma apontada pra mim”, conta a vítima, que anos antes já tinha sido assaltado quando saía do banco. “Nessa ocasião, levaram R$ 5 mil mais relógio e celular”.